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sábado, 19 de agosto de 2017

DO FUNDO DO BAÚ: PETECA



 
Hoje é sábado, dia da série “DO FUNDO DO BAÚ”. E de lá saem estas 3 fotos com o tema de hoje: a PETECA.
A primeira foto, em Ipanema em 1948, é do acervo do Silva, disponibilizada pelo Francisco Patricio.
Desconheço a autoria da segunda, em Copacabana em 1931,  tirada, segundo o Decourt, bem da esquina da Rua Xavier da Silveira. A casa com varandas aparentemente em estrutura metálica, que aparece parcialmente na extrema esquerda da foto, é onde fica o prédio onde o Brizola morou. A quarta casa, sempre partindo da esquerda, é onde hoje fica o edifício Embaixador, um dos marcos da arquitetura Decô carioca e que seria construído apenas 4 anos após essa foto ser tirada. A construção que aparece bem a direita da foto é dos edifícios Lellis e São Paulo, na esquina com a Rua Barão de Ipanema.
Nestas duas fotos vemos os comentaristas mais antigos do “Saudades do Rio”.
Na terceira foto, de Jean Manzon, de 1950, podemos ver atuais comentaristas deste espaço, em animado jogo de peteca na Praia de Copacabana. Eram todos sócios da S.E.M.P.R.E. (Sociedade Etílico-Marítima de Peteca Recreativa e Esportiva), com sede no Bar Alcazar, na esquina da Av. Atlântica com a Rua Almirante Gonçalves. Seus sócios faziam demonstrações por toda Praia de Copacabana (os rapazes exibindo seus corpos atléticos e as moças a sua beleza).
Toda a moda para trajes de banho, lançada a partir dos anos 50, era exibida em desfile nos salões do Copacabana Palace e, a seguir, era feito um jogo de exibição na areia, como pode se ver na foto acima.
Segundo o General Miranda, um dos fundadores da S.E.M.P.R.E., adepto e praticante diário deste esporte, a peteca ideal deve ter, na base, o diâmetro de 0,050m a 0,052m. Ter 0,20m de altura, incluindo as penas. De peso, de 40 a 42 gramas aproximadamente. As penas devem ser brancas, em número de 04 (quatro), formando um diâmetro de 0,04 a 0,05m. O material da base deve ser de borracha, em camadas sobrepostas.
Se você não for um profissional como o nosso saudoso General, pode fazer uma peteca com palhas secas de milho e algumas penas de galinha, como é habitual entre os tijucanos: rasgue as primeiras palhas em tiras estreitas que se vão dobrando e enrolando, alterando o sentido de cada uma. Quando esse "miolo" atinge a forma de uma almofada com mais ou menos dois dedos de tamanho, envolva-o com tiras mais largas, que se cruzam em diversas direções, cujas pontas ficam seguras na mão esquerda. Torce-se e amarra-se uma tira estreitinha formando-se um anel sobre o qual se passam, dobrando-as ao meio, um número de palhas suficiente para cobrir-lhe a circunferência. Aplica-se em seguida esse anel ao fundo da peteca juntando-se as pontas ao maço formado anteriormente. Já depois de colocado, aperfeiçoa-se o trabalho guarnecendo-se ainda mais o anel, de modo a recobrir completamente o volume todo. Ajusta-se bem o conjunto e amarra-se fortemente a base do maço de pontas, estando pronta a peteca.
Há diversas modalidades de jogo de peteca na praia, entre elas: com rede, como no vôlei: 3 contra 3, com o campo marcado no chão com fitas para delimitar os espaços onde a peteca deve cair; 3 contra 3 sem campo marcado no chão e onde a força predomina; 1 com 1, somente como diversão.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

PROTESTOS NA CINELANDIA





 
As cinco fotos de hoje mostram o conturbado ano de 1968. Vemos a região da Cinelândia sendo palco de uma batalha entre a PM e os estudantes.
No seu clássico “1968 – O ano que não terminou”, Zuenir Ventura discorreu sobre aquele período dizendo em certo momento: “O cheiro de gás lacrimogêneo e o coro de “abaixo a ditadura’’ pareciam incorporados à paisagem urbana daqueles tempos”.
Em 1968 aconteceu a famosa “Passeata dos 100 mil” e, também, a edição do AI-5. Lembro, também, de uma noite terrível na Igreja da Candelária, onde meus amigos e ex-professores, os jesuítas Padre Angelim e Padre Guy, concelebraram com outros corajosos padres uma missa. À saída, todos foram surpreendidos por uma carga de cavalaria da PM. Os padres que celebraram a missa tomaram partido do povo e deram-se os braços, formando um cordão de isolamento entre a truculência da polícia e a população indefesa. Coisa insana.
Como podemos ver acima, os fotógrafos, mesmo no meio de tanto drama, conseguiam captar ângulos incríveis, juntando títulos dos filmes aos acontecimentos do dia.
Fotos: Acervo Correio da Manhã e Evandro Teixeira.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

AVENIDA ATLÂNTICA



Hoje temos três fotos, todas da década de 60, mostrando o tráfego na Avenida Atlântica ainda em mão-dupla. Somente a partir de 1969 haveria a duplicação das pistas.
A Avenida Atlântica foi construída a partir do Decreto Municipal nº 561, do Prefeito Pereira Passos, em 1905. Era, no início, apenas uma rua de serviço, para pedestres. A "Gazeta de Notícias", de 30/10/1905 assim comentava sobre o fato: "Do Leme à igrejinha, na extensão de 4 quilômetros, estabeleceu que o alinhamento dos prédios ficaria situado a cinquenta metros da orla oceânica. Além da igrejinha seria projetada outra Avenida, continuando o litoral até o Leblon. Feliz cidade, que a par das cercanias de beleza inigualável, encontra um administrador que a trata com gosto e carinho". Pelos planos de Pereira Passos, a casa do deputado federal Francisco Bressane de Azevedo, representante de Minas Gerais, serviria de baliza para a Av. Atlântica. 
Esta avenida foi ampliada em 1911 por Bento Ribeiro. Já em 1919 recebeu melhorias na administração de Paulo de Frontin. O Governador Negrão de Lima, por sugestão de Lucio Costa e com projeto do Engenheiro Raimundo Paula Soares, fez a sua duplicação entre 1969 e 1971, quando foi construído, sob suas pistas, o Interceptor Oceânico da Zona Sul, a maior obra de construção de esgotos no Rio, até então.
No Instituto Vasco da Gama, em Lisboa, havia (não sei se ainda está lá) a maquete dessa obra gigantesca. Era um estudo detalhado que incluía variação de marés, de correntes, movimentação de areia, etc. Um trabalho muito bem feito.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

FRESCOBOL


 
Você sabia que o frescobol já foi incluído no AI-5?
Hoje temos dois flagrantes de apreensão pela PM de raquetes de frescobol na praia na década de 60, uma em Copacabana e a outra em Ipanema (Arpoador). Esta tropa da PM, por conta de seus uniformes, era conhecida como “azulões”.
Segundo reportagens do início dos anos 60 o frescobol só poderia ser praticado depois da 14h e os que descumprissem esta ordem seriam “autuados por desrespeito à Lei e levados à Justiça”. Depois de algum tempo a proibição foi aumentada, proibindo o jogo durante todo o fim de semana. Os membros da PM que apreendessem mais raquetes receberiam um prêmio. A maior queixa dos PMs era com relação ao “sabe com quem está falando?”, chave de galão que levavam dos praticantes.
O “Correio da Manhã” de 16/01/1968 noticiou que a Secretaria de Segurança expediu duas notas enquadrando as punições para aqueles que não cumprirem a determinação. A primeira alerta do perigo que o esporte representa à integridade física dos banhistas, principalmente das crianças. A segunda dizia respeito ao tipo de infração em que incorriam e as consequências da desobediência.”
Naquela época a PM era muito rígida em aplicar esta lei e todos que jogávamos frescobol tínhamos que manter um olho na bola e outro na eventual presença dos policiais militares. Ao vê-los todos corriam para o mar ou tentavam esconder as raquetes sob a areia ou sob toalhas. Houve muita confusão por conta disto, durante algum tempo. E chegou a ser criada a profissão de “olheiro do frescobol” – por alguns trocados tinha gente que ficava vigiando a chegada dos PMs.
Ainda o “Correio da Manhã” de janeiro de 1968 noticiou que o coronel Elias de Morais, comandante do 2º Batalhão da PMEG, afirma ter “um plano secreto para combater o frescobol nas praias”. Também o tenente Romulo Rodrigues treinou a equipe de “azulões” em judô, para enfrentar a turma “barra pesada” que afrontava a polícia.
O pior veio em 1969, conforme conta o “Correio da Manhã” de 18/01/69: todos os presos por jogar frescobol irão para a Ilha Grande, enquadrados no AI-5.
Foi uma “guerra” que durou anos e ocupou páginas e páginas dos jornais.
Com o passar do tempo a fiscalização foi afrouxando e, atualmente há algumas regras, limitando o horário e local para esta prática, embora as transgressões ainda sejam frequentes.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

PRAÇA CARDEAL ARCOVERDE



 
As duas primeiras fotos de hoje já foram publicadas no antigo “Saudades do Rio”. São de Uriel Malta e mostram aspectos da Praça Cardeal Arcoverde. Como o Nickolas fez mais uma estupenda colorização resolvi postar novamente. A terceira foto é coloboração da embaixadora plenipotenciária da Urca, a tia Milu.
Os comentários abaixo foram feitos com a colaboração de vários dos comentaristas do “Saudades do Rio” e alguns se reconhecerão.
A urbanização desta praça foi projetada pelo arquiteto da Prefeitura do Distrito Federal, Azevedo Neto. Antiga Praça Sacopenapã, foi aberta pela Empresa de Construções Civis e aceita em 26/07/1894. O Cardeal Arcoverde (Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti) tornou-se cardeal do Rio de Janeiro em 1905 (foi o primeiro cardeal brasileiro e sul-americano).
Na construção "déco" que vemos em primeiro plano na segunda foto funcionou o quartel da Polícia Especial de Vargas. Depois, com redemocratização do país, após a Segunda Guerra, o prédio se transformou na escola Dom Aquino Correia. No final dos anos 50 a Escola Dom Aquino Correia foi desmembrada de seu auditório, sendo este transformado no Teatro da Praça, que depois recebeu o nome de Teatro Gláucio Gil (esta alteração deu-se em meados dos anos 60 quando o apresentador da TV Globo Glaucio Gil, apresentando "ao vivo" o programa "Show da Noite", sentiu-se mal e faleceu no sofá do programa vítima de infarto. Foi uma comoção no Rio). A seguir uma nova escola foi construída ao lado: a Escola Alencastro Guimarães.
Vemos também o aspecto da Ladeira do Leme, nome dado em 1917 e que já se chamou Rua Coelho Cintra de 1949 a 1951, quando voltou ao nome original. Esta ladeira constitui um dos acessos mais antigos à Praia de Copacabana. Recebeu esta denominação por ali se instalar o antigo "Reduto do Leme", no tempo do vice-reinado do Marquês de Lavradio. Os arcos no topo da Ladeira do Leme seriam os restos de uma fortificação. Há por ali também uma Vila Militar atualmente além do Parque Estadual da Chacrinha, no final da Rua Guimarães Natal, entre a Ladeira do Leme e a Rua Assis Brasil. Junto ao final da ladeira sobrevive um dos últimos postos de gasolina de Copacabana, fora os da orla marítima (e ali há uma padaria com pães de excelente qualidade, coisa rara no Rio de hoje).
Em 1878, no dia primeiro de dezembro, aconteceu o início do serviço de diligências entre o final da Praia de Botafogo e Copacabana, pela Ladeira do Leme, por iniciativa do doutor Francisco Bento Alexandre de Figueiredo de Magalhães, Conde de Figueiredo Magalhães, que possuía em Copacabana uma casa de saúde com hotel anexo. No dia 20 de maio de 18979, o jornal O Repórter informava que, na noite anterior, a Diligência de Copacabana havia sido agredida por malfeitores, que foram afastados em função dos disparos de revólver do Dr. Figueiredo Magalhães.
À esquerda, conforme já contou a tia Nalu sobre a segunda foto, fora do quadro, havia uma loja chamada Bolos de Lisboa, com os melhores e tradicionais doces portugueses, a cargo da fantástica D. Margarida, que depois veio a abrir um restaurante na Visconde de Caravelas.
Atualmente existe nesta praça uma estação do metrô, a Cardeal Arcoverde.
 
 

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

MANSÃO PARANAGUÁ



 
Hoje temos duas fotos da região do antigo Posto 5, em Copacabana. Vemos a Mansão Paranaguá, na esquina da Rua Barão de Ipanema com Avenida Atlântica.

Na primeira foto, do acervo do Correio da Manhã, da década de 50, vemos além da mansão, que era uma das maiores da orla de Copacabana, uma das “línguas negras” que existiam naquela época. Eram uma mistura de esgoto com água da chuva.

Observem que uma das crianças tenta fazer uma “ponte” até o outro lado da água mal cheirosa e contaminada.

A outra foto, do acervo de Sergio Coimbra, foi enviada pela tia Lu e já foi publicada no “Saudades do Rio”. Vemos um grupo de banhistas, nos anos 20, ainda desfrutando de uma areia limpíssima, em frente à Mansão Paranaguá.

O Tumminelli, no “Carioca da Gema”, fez uma série interessantíssima sobre a Mansão Paranaguá, mas não a encontrei mais.

domingo, 13 de agosto de 2017

DIA DOS PAIS

 
Feliz “DIA DOS PAIS” para todos os comentaristas e visitantes.
A foto é na Rua Barata Ribeiro e a rua ao fundo é a Dias da Rocha.
Bons tempos!

sábado, 12 de agosto de 2017

DO FUNDO DO BAÚ - ATAQUES



 
Hoje é sábado, dia da série “DO FUNDO DO BAÚ”. E de lá saem estas duas fotos de eficientes ataques da década de 50. Consegui identificar com certeza todos os atacantes do Flamengo e, com um pouco menos de certeza, também os cinco da seleção da Federação Metropolitana de Futebol. Vamos ver se identificamos todos.

O ataque do Flamengo está no campo da Gávea, com a pequena arquibancada mais perto da Lagoa ao fundo. O fotógrafo está de costas para a arquibancada maior, até hoje existente lá.

Nos anos 50 a portaria era em frente à Praça N.S. Auxiliadora, pois não havia a Rua Gilberto Cardoso - a Favela do Pinto ficava colada no terreno do Flamengo. Logo após a entrada, à esquerda ficava o velho ginásio, sob a arquibancada do campo de futebol. Ali assisti a jogos de basquete do espetacular time do Algodão, do Waldir Boccardo, do Godinho, treinado pelo Kanela. No time feminino destacavam-se, já na década de 60, a Norminha, a Angelina, a Luci, a Didi.

Também o vôlei era imperdível, com o Lucio, o Feitosa, o técnico Sami Meliskhi, além do Jonjoca, que foi meu técnico no juvenil. E o time feminino comandado pela Leila, Norma Vaz, Marina, Rosinha O´Shea.

À direita da entrada ficava a Gerência, com o "seu" Nelson e o sub-gerente Jarbas (antigo ponta-esquerda da década de 40). Logo após, o pequeno bar e restaurante, tendo em frente uma quadra de futebol de salão, onde jogávamos com o Antonio Henrique Bria e o "Pelé", que se transformaria no Paulo Cesar "Caju", que anos depois brilharia na seleção nacional.

Junto à favela ficava o Depto.Hípico, com os cavalos de salto. A maior estrela era o "Oiram", cavalo do campeão José Mário Guimarães, que veio a falecer durante um salto. Em frente à portaria, a pista de bocha, comandada pelo Gandini. Do outro lado da quadra de futebol de salão o Depto. Médico, com os Drs. Paulo San Thiago, Madeira e Pelosi, os massagistas Luiz Luz e Luiz Borracha (antigo goleiro). Por ali também ficava o vestiário dos juízes quando havia jogo na Gávea.

O campo de futebol não tinha alambrado. Acompanhávamos os treinos: físicos e técnicos, às terças e quintas, "coletivos" de titulares e reservas, às quartas e sextas. Ficávamos atrás do gol devolvendo as bolas G-18 que caíam na "geral". No final do treino o peito de nossos pés ardia de tantos chutes.

Numas salas do 2º andar do ginásio havia a sede dos escoteiros, chefiada pelo Betim Paes Leme e uma pequena biblioteca juvenil chamada de “José Lins do Rego”. Em 1960, quando de sua inauguração, fui o responsável por ler o discurso de abertura.

Não havia a Rua Mario Ribeiro e o terreno do Flamengo ficava colado no do Jockey. Desse lado ficava o vestiário do futebol, com seu inconfundível cheiro de éter e cânfora, além do ruído das chuteiras no chão de cimento. Para um menino era fantástico ver passar os craques da época, como Dida, Indio, Evaristo, Zagalo, Joel, Dequinha, Rubens, Moacir, Pavão, Tomires, Jadir, Jordan e tantos outros.

Em volta do campo treinava o campeoníssimo do atletismo José Teles da Conceição e o fundista Sebastião Mendes. A memória trouxe nomes que encontrava sempre como Fadel Fadel, Hilton Santos, Helio Mauricio, Ivan Drumond, Aristeu Duarte, delegado Jarbas Barbosa, Batista (gerente da Casa Meira), Martelotti (que tinha um restaurante na Visc. de Pirajá, ali perto do Astória, chamado, salvo engano, de “Velho Pescador”), Miceli (sua filha Luiza Helena foi uma atleta de destaque), Ox Drumond.

Lá perto da Lagoa, a garagem do remo, com o amigo de meu pai, o Buck (que quase me "matou" quando foi meu técnico). Por onde andarão meus colegas Oswaldo Aranha, Alex Molina e Suely Martelotti, da "diretoria mirim"?

Saudades dos jogos dos juvenis, com o time campeão formado, entre outros, por Edmar, Adilson, Norival, Clair, Gerson (que foi, anos depois, campeão do mundo), Beirute, Manoelzinho, Germano (que casou com uma condessa e foi para a Itália).

Esta era a Gávea do Mauricio Farah, funcionário que mais tempo trabalhou no Flamengo. Todo 4 de Julho a Embaixada dos Estados Unidos fechava o clube para uma grande festa para a colônia americana. Só uns privilegiados conseguíamos entrar nesse dia para aproveitar Coca-Cola e sanduíches de graça, além de ver os fogos de artifício ao final.

A sede do Flamengo era pouquíssimo freqüentada nessa época e conhecíamos todo mundo. Explorávamos, em brincadeiras de "polícia-ladrão", todos os espaços sob a arquibancada. Durante os treinos íamos para as modestas cabines de rádio e fingíamos irradiar a partida.

Nos domingos chegávamos cedo, para assistir aos jogos dos juvenis, que começavam às 9 horas. Não havia o conjunto de piscinas, que só foram inauguradas no início dos anos 60. Aproveitávamos o espaço livre para jogar bolinha de gude e soltar pipa.

Havia a "Comissão do Muro", que por anos batalhou para conseguir recursos para construir o muro que cercaria a sede. Depois, nos anos 60, com a retirada da favela, a abertura da Rua Mario Ribeiro (que deslocou o campo de futebol algumas dezenas de metros para longe do Jockey), a abertura da continuação da Av. Borges de Medeiros (com o deslocamento da garagem de remo para o local atual), a construção do complexo de piscinas, das quadras de tênis e do vizinho condomínio Selva de Pedra, tudo mudou. Mais adiante ainda, foi construída a bela sede atual com vista para a Lagoa.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

RUA SÃO JOSÉ


 
A foto de hoje mostra um panorama da Rua São José, no centro da cidade, na década de 60.
Sobre o “Bar e Restaurante do Comércio Ltda” nada encontrei.
Já a Livraria São José, na Rua São José nº 38, telefones 42-0435, tem muita história.
Na época da foto fazia intensa propaganda no “Correio da Manhã”. Vendia “livros escolares novos e usados para todos os cursos. Oferecia lápis grátis aos estudantes.” Também em sua propaganda dizia “enviamos para todo o Brasil pelo serviço de reembolso postal e também atendemos a pedidos em carta com valor declarado, vale postal ou cheque”. Nestes tempos de Internet, tudo isto parece totalmente anacrônico.
A história da Livraria São José, segundo conta o “blog” Estante Virtual, começa em meados da década de 20 quando a Livraria Briguiet se instalou no número 38 da rua São José. Em 1939 ganhou o nome de “Livraria São José”.
No final dos anos 40 ganhou o comando de Walter Alves da Cunha e Carlos Ribeiro, o “Carlinhos”, e viveu seu período áureo, entre as décadas de 47 e 67. A livraria expandiu seu negócio e tornou-se editora, promovendo a primeira tarde de autógrafos do Rio de Janeiro (1954) no lançamento da obra "Itinerário de Pasárgada," de Manuel Bandeira.
E tornou-se ponto de encontro da nata de intelectuais brasileiros: romancistas, poetas, cronistas, jornalistas, juristas, políticos e até ex-presidentes do Brasil, como Marechal Eurico Gaspar Dutra, João Goulart e Marechal Castello Branco visitavam frequentemente o local.
Em 1967, a livraria já possuía 3 lojas na mesma rua! Em 1970, no entanto, Carlos Ribeiro e Walter Alves da Cunha decidiram se separar. Em 1974, com dificuldades financeiras, a livraria foi para a Rua do Carmo nº 61. Tomado por uma profunda depressão e tristeza com a mudança, e aconselhado pelos médicos, Carlos Ribeiro afastou-se da profissão e seus filhos o substituíram na direção da livraria. Em fins de 1979, Carlos decidiu vender o negócio por um preço acessível a seus antigos empregados: José Germano da Silva, Carlos dos Santos Vieira e Adelbino de Marins Espíndola que como ele aprenderam a vender e amar os livros.
 
Depois de mais de 70 anos de sucesso, em 2014, a Livraria São José encerrou suas atividades na Rua 1º de Março, nº 37, onde comprei, em seu "sebo", alguns bons livros sobre o Rio Antigo para a biblioteca do “Saudades do Rio”.
 
Notícias dão conta que teria reaberto numa sala de um prédio da Rua da Quitanda.
 
 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

CAMELÔS


 
Desde há muito tempo o problema “camelôs” é motivo de controvérsia no Rio.
Reportagem do Correio da Manhã de 1962 faz duras críticas aos camelôs: "Os camelôs estão aí, tomando conta da cidade. Já estavam aí há muito tempo. Agora, com certa lei da Assembléia carioca (que permite a incapacitados físicos o comércio sem imposto nas ruas), estão aí em número bem maior. Mas não são incapacitados físicos: são desclassificados, marginais, grandes artistas que fingem deformações ou cínicos que nada fingem porque tão têm o que fingir - a fiscalização não existe."
Na segunda foto a bengala pendurada sugere que a barraca de camelô é de um cego, Mas este não está presente, burlando a fiscalização.
Pergunta: onde estariam os camelôs nas fotos acima?

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

RUA DA CARIOCA

 
No início de março de 1969 um incêndio destruiu o prédio de nº 53 da Rua da Carioca. Ali funcionavam a Casa Manos, o Restaurante Hansa e muitas outras empresas.
O Cinema Íris, situado no nº 51 e uma loja de plásticos e couros, no nº 53 nada sofreram.
No edifício destruído funcionou, durante alguns anos, o restaurante Zicartola, do compositor Cartola e sua mulher, a Zica.
Acho que em 1967 o Zicartola foi fechado e em seu lugar surgiu o Hansa, que desapareceria com este incêndio.
A Rua da Carioca, que começa no Largo da Carioca e termina na Praça Tiradentes, já foi chamada de Rua do Egito, Rua do Piolho, Rua São Francisco da Penitência, Rua São Francisco de Assis e Rua Presidente Wilson.
Segundo Berger, a princípio simples estrada atravessando um areal, já em 1667 era referida na demarcação da sesmaria doada por Estácio de Sá. O nome Rua da Carioca foi dado em 1848, pois era o caminho dos que iam buscar água no chafariz da Carioca.
Após várias trocas de nome, de 1879 até 1919, retomou definitivamente o nome atual.
Ultimamente, muitas lojas do tradicional comércio local estão fechando por conta de um “imbróglio” envolvendo os comerciantes antigos e o Opportunity, que comprou várias lojas da região.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

SUPERMERCADO MERCI

 
Nesta foto, do acervo do Correio da Manhã, vemos a loja do Supermercado Merci – Mercearias Nacionais, em Copacabana. Esta era, talvez, a maior cadeia de comestíveis do Estado da Guanabara.
O endereço desta loja era Rua Figueiredo Magalhães nº 865.
Notícias dos jornais davam conta que o supermercado foi assaltado em 1971, quando dois jovens, um branco e outro mulato, entre 20 e 23 anos, entraram no Merci, renderam o gerente Virgilio Mário Marques, penetraram no escritório onde se encontrava o contador Adel Pereira Dias e forçaram-no a entregar a féria de Cr$ 70 mil, referente aos dias de sexta-feira, sábado e domingo. O dinheiro ía ser depositado no Banco Souto Maior. O assalto durou três minutos e os bandidos fugiram num Dodge-Dart, identificado como o que foi furtado do motorista Silvino Hipolito de Azevedo Neto, na Praia do Flamengo nº 374.
O motorista reconheceu na galeria de fotografias da 10ª DP, como sendo um dos assaltantes, Sergio Torres, fichado na distrital como assaltante de bancos, ligado ao esquema de subversão. Era conhecido por Rui.
Outro assalto aconteceu pouco tempo depois e os policiais acharam que alguns dos assaltantes eram do mesmo grupo anterior. Desta feita eram sete e estavam armados com metralhadoras. O gerente, então Manuel da Costa Matos, foi obrigado a abrir o cofre, de onde levaram Cr$ 55 mil. Entre os assaltantes havia uma mulher. O grupo fugiu em duas Variant, cujas placas não foram identificadas e em um Volkswagen 1600, vermelho, cuja placa seria GB 18-98-90 ou GB 18+89-90.
Podemos observar na foto que, pela posição do ponto de ônibus, a mão de direção da Rua Figueiredo Magalhães era no sentido Túnel Velho-Av. Atlântica.
Neste mesmo local onde funcionou o Merci, em maio de 2000 foi inaugurado o Hospital Copa D´Or, resultado de um investimento de R$ 50 milhões. Com 218 leitos, centro cirúrgico com 12 salas e serviços de emergência 24 horas para adultos e crianças distribuídos entre 12 andares com 20 mil metros quadrados de construção. A previsão de um heliporto causou polêmica entre os vizinhos do Bairro Peixoto incomodados pelo barulho. No JB de 22/05/2000 até o Xexéo fez uma crônica sobre o assunto. Não sei qual foi a reação do Andre Decourt, morador e xerife do Bairro Peixoto e adjacências...

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

RUA DO OUVIDOR



 
A foto da LIFE, em preto e branco, foi publicada em 2008 no “Saudades do Rio”. Recentemente o Nickolas resolveu voltar a ela para colorizá-la com os aperfeiçoamentos técnicos que desenvolveu ao longo do tempo e a foto ganhou uma vida impressionante.

 

Vemos a dupla de moças americanas que balançou os corações dos fotologueiros do Rio Antigo quando viram pela primeira vez o périplo delas pelo Rio da década de 40, fotografadas pelo Hart Preston, da LIFE.

 

Elas estão na Rua do Ouvidor, pois vêem-se ao fundo o prédio e o relógio da Sul América Seguros, que continuam no local , junto com algumas dessas arcadas da iluminação pública.

 

Destacam-se, também, os letreiros de grandes lojas como as descritas abaixo:

 

A loja da Mappin Webb nesta época tinha como endereço Rua do Ouvidor nº 100.

 

Sua propaganda dizia:

 

“Para adornar a sua mesa com a distincção que a Sra. deseja, Mappin & Webb recomenda-lhe Prata Princeza.

Prata Princeza proporciona uma satisfacção permanente pela durabilidade excepcional, que mantem inalterável, por longos anos, a sua beleza primitiva...”.

 

E para limpar “objetos de metal e prata use KWIC-KLEEN, absolutamente innocuo. Venda exclusiva de Mappin & Webb”.

 

E não deixe de “visitar a secção de Couros e Marroquinaria de Mappin & Webb e escolha os belos objetos de fina confecção, fabricados nas nossas oficinas na Inglaterra”.

 

Já as “CASAS CLARK” ficavam na Rua do Ouvidor nº 105/107 e em sua propaganda dizia: “Para qualquer solenidade o calçado Clark preenche todas as exigências. Atenda ao conforto dos seus pés usando o calçado Clark, cujas formas garantem bem estar e satisfação. As variedades de tamanhos em várias alturas atendem ao mais exigente consumidor.”

 

E não deixe de dar uma passada na Westinghouse, na Rua do Ouvidor nº 98, para comprar um rádio modelo WEK-256, cuja propaganda dizia: “Sem deixar o conforto de sua casa, a primeira fila nos theatros e nos concertos poderá ser sempre sua. Basta-lhe ter em seu lar um Westinghouse de Vóz Symphonica, o receptor incomparável. Graças a um característico exclusivo, baseado sobre um princípio novo – a Camara Acustica “Cathedral” – o Westinghouse é de fidelidade e nitidez a toda prova, é o receptor capaz de satisfazer plenamente os amantes da boa musica. Acompanhe os espectaculos mais requintados como se estivesse na primeira fila, com o novo Westinghouse”.

 

À esquerda vemos “O Pavilhão”, magazine de modas em geral para homens, senhoras e crianças, na Rua do Ouvidor nº 108.


Quase todos os sobrados ecléticos que vemos na foto foram demolidos no pós-guerra.

 

É curioso observar que o paletó e gravata até um passado recente era o traje oficial do centro da cidade. Reparem que todos os homens estão de terno.

sábado, 5 de agosto de 2017

DO FUNDO DO BAÚ - ATACANTES

 
Hoje é sábado, dia da série “DO FUNDO DO BAÚ”. E de lá sai esta fotografia do ataque da seleção da FMF – Federação Metropolitana de Futebol, representante do Rio de Janeiro no ano de 1957.
Vemos Ademir, Rubens, Indio, Didi e Garrincha – que reunião de craques!
Era uma época de tal fartura que era um problema e tanto para qualquer técnico escolher o ataque titular. Buscando somente pela memória posso citar como alternativas Joel, Moacir, Dida, Zagalo, Esquerdinha, Paulinho Valentim, Quarentinha, Zagalo, Maurinho, Valdo, Sabará, Vavá, Walter Marciano, Pinga, Calazans, Canário, Romeiro, Nilo.
Para o ataque da seleção brasileira, então, o “problema” era muito maior. Havia à disposição, além de todos os “cariocas” citados acima, Julinho Botelho, Mazzola, Pagão, Pelé, Pepe, Canhoteiro, Chinezinho, Tite, Alvaro, Claudio, Luizinho, Larry, Zague, Zizinho, Dino Sani, Gino.
Talvez houvesse ainda outros mais que os comentaristas poderão lembrar, pois não me lembro dos jogadores mineiros e outros gaúchos, com exceção do citado Larry.
Enquanto isto, hoje em dia, mal conseguimos uma meia dúzia de jogadores do  nível dos acima mencionados.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

PRAÇA MAUÁ


 
Hoje temos duas fotos da região da Praça Mauá. A primeira foi garimpada estes dias pelo Nickolas Nogueira e vemos a esquina da Av. Rodrigues Alves com a Praça Mauá. Um dos automóveis desta foto já foi identificado pelo Jason: um Ford Consul a caminho da Av. Rio Branco.
A segunda foto está num livro que a Tia Lu, muito gentilmente, doou para o acervo do "Saudades do Rio" há alguns anos.
Vendo as fotos fica-se com a impressão de uma cidade muito mais civilizada da que a que existe hoje em dia.
Ao fundo, na segunda foto, vemos o Palacete D. João VI.
Os ônibus são da Empresa MOSA, que usava ônibus da marca Chevrolet à gasolina e depois começou a usar Mercedes à diesel, como o da foto com carroceria Vieira.
A fila não é para o ônibus “Mauá-Fátima” que vemos, pois este já está no ponto. Mais à frente havia outro ponto,  o do “Mauá-Aeroporto” - é dele a fila.
A MOSA operou a linha 10 – Mauá-Fátima até 1967, também com os ônibus importados GM ODC 210. Segundo o Helio Ribeiro, este código ODC era devido a Overseas Distribution Corporation da GM e 210 era a distância entre eixos em polegadas, o que dava aproximadamente 5,30m.
A linha 10 foi a única que não ganhou outro número a partir de 1964/1965, ganhando apenas a letra C.
Houve uma reformulação no sistema de ônibus em 1964 e a única linha circular central que existia e continuou existindo foi a “10-Mauá-Fátima” que virou C-10. Todas as outras linhas com a letra C foram criadas nesta reforma, já sendo operadas pela nova estatal CTC-GB. Vale lembrar das linhas "C", além do C-10, como a C-3 (E.Ferro - Castelo) e C-6 (Hosp. dos Servidores - Lapa). A “Mauá-Aeroporto” não sei que número tinha. Também não sei se havia outras linhas C – os “busólogos” poderão lembrar.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

MARATONA DO RIO





 
As fotos de hoje são da Maratona do Rio de 1979 e fazem parte do acervo da família de Eleonora Mendonça.
Em 29/07/1979 a Printer, criada pela corredora Eleonora Mendonça, organizou a I Maratona Internacional do Rio de Janeiro. Ela foi realizada um ano após a primeira corrida de rua - corrida de Copacabana - que deu início ao movimento de corridas de rua no Brasil.
Pouco menos de uma centena de participantes concluiu a prova. O vencedor foi Hélio Alves Aguiar, de São Paulo, com o tempo de 2h34m57s, derrotando os favoritos João Alves de Souza, o Passarinho, do Brasil, e Dan Shanahan e Phil Heath, americanos.
O percurso desta primeira Maratona Internacional do Rio de Janeiro começou e acabou na Escola de Educação Física do Exército, no Forte São João, na Urca, com passagem pelo Aterro e depois duas vezes o percurso Leme-Posto 6.
Nos anos seguintes, com incentivo do jornalista José Inácio Werneck, o JB se interessou pela prova gerando uma grande repercussão, inclusive com patrocínio da Atlântica-Boavista, a partir de 1980.
Considero que não deixa de ser uma agressão ao corpo correr mais de 42 km. Além da prova propriamente dita, os meses de preparação são terríveis para as articulações. Os corredores pagarão no futuro por tantos traumas.
Mas, reconheço, há aspectos extremamente positivos neste esporte: o espírito de companheirismo, os desafios a serem superados (tanto física quanto mentalmente), a mudança no estilo de vida que a preparação para a prova exige. Conheço jovens que abandonaram as noitadas, adotaram uma dieta mais saudável, cuidaram melhor da saúde, em prol de bons resultados.
Certa vez fiquei hospedado num dos hotéis que serviram de base para os corredores da Maratona de Berlim e o ambiente era fantástico.
Já assisti a algumas provas (em várias delas havia o D´ entre os corredores) e testemunhei a vibração e alegria dos atletas quando estão chegando perto da linha de chegada. Há uma troca de energia enorme entre os que estão completando a prova e a assistência que reconhece o esforço dos participantes. É um espetáculo que vale a pena prestigiar.