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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

AVENIDA ATLÂNTICA





 
Hoje temos fotos colorizadas pelos mestres Conde di Lido e Nickolas Nogueira com o tema “Avenida Atlântica”.
Foto 1: os simpáticos automóveis serão identificados pelos especialistas.
Foto 2: estamos na altura da Rua Santa Clara, vendo na esquina o prédio onde funcionou a Biblioteca Thomas Jefferson. Bons tempos em que as bicicletas não precisavam ficar acorrentadas em postes.
Foto 3: vemos a Avenida Atlântica na década de 30, poucos anos depois de surgirem os primeiros edifícios de apartamentos. Contam os historiadores que  foi após a construção do Copacabana Palace que isto aconteceu. Com a valorização do bairro e em especial da vizinhança do hotel, a Empresa de Construções Civis estabeleceu como uma das condições para a venda de terrenos entre as ruas Belfort Roxo e República do Peru, a destinação exclusiva à edificação dos prédios de apartamentos, o que havia de mais moderno nessa época em questão de padrão habitacional. Outras quadras da empresa destinavam-se exclusivamente a casas de aluguel, pois a intenção da companhia era defender a estética do bairro, porque considerava ser lamentável verificar que se encontravam pequenos prédios sufocados entre colossais edifícios. A arquitetura desses prédios de apartamentos era concebida como a das residências da época. Os edifícios tinham entradas "nobres" e de "serviço", as dependências de empregados ficavam o mais afastado possível dos cômodos da família, às vezes no andar superior do edifício. Os apartamentos tinham salas de visita e de jantar, saletas e amplos quartos. Pisos de mármore, decorações em gesso em alto-relevo, cristais lapidados, lambris de madeira, enfim, materiais nobres. Outra característica dos primeiros prédios, eram os quartos que ficavam em posição privilegiada na fachada, tomando o maior sol possível, com a sala normalmente no centro e com as janelas para a lateral ou fundos. Quanto ao prédio de quatro andares e torre, segundo o livro "Copacabana" editado pela João Fortes, tratava-se do edifício de apartamentos de propriedade de Rocha Miranda, Filhos & Cia. Ltda, construído pelo engenheiro Eduardo Pederneiras, em 1924, na esquina da Rua Siqueira Campos.
Foto 4: um avião evolui na Praia de Copacabana em 1959.
Foto 5: o local, do mais puro art-déco, possivelmente é o bar do Hotel Luxor, no quarteirão entre as ruas Figueiredo Magalhães e Santa Clara, por ter sido o único hotel com linhas déco na orla do bairro até sua reforma nos anos 70, onde ganhou a fachada de vidro que está lá até os dias de hoje. A foto da LIFE, mostra que os músicos há muitas décadas tentam descolar alguns trocados dos frequentadores dos bares da orla. Certamente a música era de melhor qualidade do que atualmente.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

BOTAFOGO


 

A primeira foto, provavelmente de pouco antes de 1920, mostra uma casa e vila na Rua São Clemente, quase chegando ao Largo dos Leões.
Alguém saberia dizer como a vila particular que aparece na foto se transformou na Rua Alfredo Chaves, que dá acesso à Rua Icatu?

Podemos observar ainda que a parada de bonde (poste marcado de branco) era bem em frente à casa, junto ao antigo lampião. E ainda havia, à esquerda, uma casa colonial.

A segunda foto, do acervo do JBAN, mostra uma planta de 1926 com a vila ainda com portão. Os nomes das ruas provavelmente foram colocados em data posterior.

Segundo o Cau Barata, esta região foi adquirida em 1800 por Custódio Moreira Lírio e tinha 200 braças de testada para o Caminho de São Clemente e fundos até as vertentes do morro. Nessas terras surgiram a Rua Alfredo Chaves, Rua Barão de São Clemente (Rua Icatu, Rua Sarapuí), Largo dos Leões (Rua Mário de Andrade, Rua Mário Pederneiras). Posteriormente foi dividida em lotes.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

GÁVEA



 
As duas primeiras fotos são de 1972 e mostram o canal, com sujeira, que corria junto à Rua Marquês de São Vicente, na Gávea. É até difícil acreditar que fosse assim em pleno anos 70.
O canal margeava o Parque Proletário da Gávea, barracos dos anos 40, que foram removidos somente na década de 70.
A terceira foto mostra uma vista aérea do Parque Proletário, vizinho da PUC – Pontifícia Universidade Católica.
Excelente relato sobre esta região, a remoção da favela e a construção da Auto-Estrada Lagoa-Barra, pode ser visto a partir de http://tinyurl.com/lr5egcr , em postagem feita pelo Andre Decourt, com 7 capítulos.

domingo, 15 de outubro de 2017

CHUVA


 
Dia de chuva é sempre complicado no Rio.
 
Nas fotos, de 1967, vemos o sufoco dos motoristas na Rua Tonelero, em Copacabana.

sábado, 14 de outubro de 2017

PRAIA ANOS 70



 
A praia dos anos 70 podia ser assim: todos sentados ou deitados sobre toalhas ou esteiras, a bolsa da PANAM com os apetrechos de praia (pasta de Lassar para o nariz, Rayito de Sol para bronzear). O dinheiro ia numa bolsinha ou preso na lateral do calção.
Cada um levava sua própria barraca, os homens iam de camisa de manga curta, de botões, como se pode ver em cima da barraca (ninguém ia para a praia sem camisa), as mulheres com seus “saídas de praia”, biquinis bem comportados.
Os fotografados seriam chamados de “farofeiros”? Afinal, estavam com caixa de isopor, garrafa térmica, um litro de Old Eight, radinho de pilha e ainda jogavam “xadrez chinês”.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

RUA POMPEU LOUREIRO

 
Esta foto mostra a Rua Pompeu Loureiro, em Copacabana, estando o fotógrafo na esquina da Rua Barão de Ipanema, à esquerda.
A rua à direita é a Travessa Santa Leocádia, onde se situava o Curso Infantil de Dona Eva Levy, uma boa escola de Jardim de Infância e Curso Primário, cuja maioria de alunos continuava os estudos no Colégio Santo Inácio ou nas escolas católicas femininas como o Sion ou o Sacré-Coeur.
No alto da ladeira que era a Travessa Santa Leocádia, ficava um condomínio famoso, cuja história é contada pelo Andre Decourt em http://www.rioquepassou.com.br/2012/08/20/condominio-santa-leocadia-a-nova-vitima-da-especulacao-imobiliaria/
Na esquina da Pompeu Loureiro com a Travessa Santa Leocádia, o assacu com muitos anos de vida, que vemos à direita, causou um reboliço tremendo quando a Prefeitura resolveu retirar esta famosa árvore querida por todos os vizinhos. Foi uma comoção. O assacu ficava no terreno de uma grande casa, que se transformou num edifício.
A Pompeu Loureiro também foi palco de um rumoroso caso policial no final dos anos 50, quando houve o sequestro de um aluno do Colégio Barilan, no nº 48 da Rua Pompeu Loureiro.
Nesta época da foto a Rua Pompeu Loureiro dava mão do Corte do Cantagalo para a Rua Constante Ramos, antes da abertura do túnel Major Rubem Vaz em 1962/1963. Até então o trecho entre a Constante Ramos e o morro era sem saída.
Na foto vemos, ao fundo, à esquerda, o Quartel do Corpo de Bombeiros de Copacabana que se mantém lá até hoje, entre as ruas Bolivar e Xavier da Silveira, junto à Praça Eugenio Jardim.
A Rua Pompeu Loureiro possuía belíssimas mansões que, com a especulação imobiliária, se transformaram em edifícios altos. Além da Santa Leocádia a Rua Pompeu Loureiro tem, entre ela e o morro,  a Travessa Emilio Berla e a Travessa Frederico Pamplona, onde ficava a Casa de Saúde Arnaldo de Morais (hoje Hospital São Lucas).

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

IGREJAS




 
Hoje temos um desafio: as fotos mostram igrejas  na Pavuna, em Bangu e em Campo Grande.
Quem poderia fazer comentários sobre elas?

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

BONDE LAPA - CANCELA



Vemos três fotos do bonde 36, Lapa-Cancela, cujo itinerário era: Largo da Lapa - Mem de Sá - Santana - Benedito Hipólito – Marquês de Pombal - Praça. 11 - Presidente Vargas (lado ímpar) - Francisco Bicalho - Francisco Eugênio - Figueira de Melo - Campo de São Cristóvão – São Luiz Gonzaga – São Januário - General Bruce. Os números de ordem dos bondes eram 438, 452 e 447.
Na primeira foto podemos ver no bonde o anúncio da "Liquidação Azul", do Magazin Segadaes (Rua Uruguaiana nº 23-25). No abrigo de bondes o tradicional anúncio do "Dragão da Rua Larga" (Rua Larga/Marechal Floriano nº 193) e da "Loção Xambu" (seu anúncio dizia: “Caspa! Cabelos brancos! Use Loção Xambú – Cabelos brancos ou grisalhos voltam à sua cor natural. Elimina a Caspa. Êxito garantido”. Laboratório Rua 24 de Maio nº 254). Mais acima o "Seu dia chegará - Loteria Federal" e, à esquerda, ao fundo, um anúncio de "Cinzano". Todos conseguem ver o anúncio da Coca-Cola?
O motorneiro posa para a foto, enquanto o condutor responde à pergunta da jovem senhora elegantemente vestida. Essa linha 36 - Lapa x Cancela era muito antiga, mas inicialmente tinha o número 52.
O bonde, nesta primeira foto, está na simpática estação na Lapa e servia os alunos do Colégio da ACM, que ficava na Rua da Lapa nº 86, com conta o J.E. Silveira. No lado oposto desta foto, existia um quiosque que vendia uma água mineral gasosa servida geladíssima, que era quase um ponto de parada obrigatório nos dias de mais calor. A água era servida naqueles copinhos cônicos iguais aos das carrocinhas de mate ou laranjada.
Na terceira foto vemos um engarrafamento de bondes, liderados pelo 36 - Lapa-Cancela, tendo atrás o 56 – Alegria e o 59 – Pedregulho. Seria falta de eletricidade?

terça-feira, 10 de outubro de 2017

PONTE DO JARDIM DE ALÁ


 
Hoje temos duas fotos da ponte que une a Rua Prudente de Morais à Rua San Martin, sobre o canal do Jardim de Alá. Ambas são de 1958, ano de inauguração desta ponte.
Leblon e Ipanema são unidos por cinco pontes: a de 1918 (une a Vieira Souto à Delfim Moreira), a de 1938 (une a Visconde de Pirajá à Ataulfo de Paiva), a de 1958 (une a Prudente de Morais à San Martin), a da década de 60 (une a Epitácio Pessoa à Borges de Medeiros) e a última, deste século, que une a Redentor à Humberto de Campos (foi construída durante as obras do Metrô, provisoriamente, mas parece que vai ser definitiva).
Na primeira foto de hoje o fotógrafo olha para Ipanema e na segunda para o Leblon.
A propósito da primeira foto o prezado Zé Rodrigo escreveu: “Estamos olhando para Ipanema. A casa com estilo meio normando, com aquela pequena torre, era a casa de minha avó. A casa que nasci era ao lado, de frente para a Prudente.
O aviador Charles Lindbergh, quando esteve aqui no Rio, foi recebido na casa em frente à casa de meus pais, que era de um coronel cujo nome a memória apagou, mas no mesmo local hoje existe um prédio com o nome da esposa deste coronel.
Logo após a abertura da ponte para o Leblon ocorreram diversos acidentes na nova esquina que tinha sido criada - Prudente com Epitácio. Minha casa por diversas vezes foi transformada em enfermaria, com pessoas ensanguentadas aguardando os primeiros socorros que, acho eu, naquela época demoravam a chegar.”
Destaque para os postes, que o Decourt  assinala que “são do tipo dos usados na Esplanada do Castelo e uma versão um pouco menor dos da Av. Atlântica (reparem que o desenho é o mesmo, mas a base é um pouco menor e a seção intermediária, a parte tubular, bem mais curta.”
Na época das fotos o Jardim de Alá era um local que atraía centenas de pessoas nos finais de semana, em suas praças, que iam da beira da praia até a Lagoa. Faziam sucessos os cavalinhos de aluguel, charretes, carrinhos puxados por bodes, que ficavam no trecho entre a San Martin e a Ataulfo de Paiva. O Jardim de Alá, inaugurado em 1938, engloba três praças: Almirante Saldanha da Gama, Grécia e Paul Claudel. Era local para piqueniques e brincadeiras das crianças, num ambiente muito agradável. Durante certo tempo havia barcos por lá, mas as gôndolas prometidas pela Prefeitura não vingaram.
Destaque na segunda foto é aquele prédio, à direita, ao fundo, na esquina da Rua Almte. Pereira Guimarães. Continua lá, firme e forte.
Já o Jardim de Alá, continua lá, mas bastante abandonado.
 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

SANTA TERESA




 
As duas fotos de hoje são de Santa Teresa e contei com a colaboração do Dieckmann na tentativa de identificação.

A primeira mostra a Ladeira Frei Orlando, logo após o cruzamento com a Rua Paula Mattos. Lá embaixo, no asfalto, está a Rua Riachuelo, esquina com a Rua do Senado, que ali começa. Um Chevrolet 51, de praça, e a Hudson branca são  os carros mais novos, o que permite estimar a data como meados dos anos 50.

A segunda foto permanece sem a localização exata. Parece ser uma construção abaixo do nível da rua principal, como alguns trechos da Joaquim Murtinho e Almirante Alexandrino. Quem saberia informar o local e mais sobre este prédio?

domingo, 8 de outubro de 2017

DOMINGO NA PRAIA DA BARRA


 
As fotos mostram uma ida à praia na Barra da Tijuca nos anos 70.
Um programa sensacional, aguardado com ansiedade por toda a família, pela fama daquelas praias de mar aberto, numa região ainda pouco conhecida. Os preparativos se iniciavam na véspera com consulta à previsão do tempo e o preparo do farnel.
No domingo de manhã nunca se consegue sair no horário, seja por alguém que dormiu demais, seja porque a comida não ficou pronta.
Todos, então, se dirigem para o carro, já com as primeiras discussões das crianças sobre quem vai na janela, quem vai no meio. Enfim, a partida.
Mal virada a esquina há que voltar, pois a esposa não tem certeza se desligou o gás ou se apagou as luzes e fechou as janelas. Tudo estava nos trinques, pode-se partir rumo ao posto de gasolina para encher o tanque.
A ida foi pela Av. Niemeyer, onde certamente o trânsito seria tranquilo naquela hora (como podemos ver na foto 2). Começam então as perguntas, constantemente repetidas: falta muito? Chegando à Barra um engarrafamento monstruoso, como o que se vê na foto 1. Após quase uma hora para andar poucos quilômetros, a batalha para se conseguir um local para estacionar. Afinal, uma vaga. Foi tal a dificuldade que o marido nem se aborrece muito com a extorsão do flanelinha.
Colocado aquele protetor de sol no para-brisa dianteiro e também no traseiro, todos para a areia. Mal conseguiram colocar a barraca e as crianças já pararam o sorveteiro, que cobra três vezes o preço normal. Ainda bem que há comida no isopor, bem como refrigerantes e cervejas. Pasta de Lassar no nariz, Rayito de Sol pelo resto do corpo.
Mamãe recomenda aos pimpolhos muito cuidado, pois as ondas estão fortes. A briga que era pela janela no carro agora é pela bóia de câmara de ar. Por fim faz-se um sorteio e quem perdeu nem quer entrar na água e fica emburrado sentado junto à barraca.
A água está gelada, as ondas fortíssimas, a praia cheia, a esposa leva uma bolada de frescobol, reclama, mas o marido deixa prá lá ao ver o tamanho dos jogadores.
Voltando para a barraca a família observa que tinham estendido toalhas quase dentro da barraca deles. Nova discussão, chega prá lá, chega prá cá, “mal-educado”, “grosso”, “esse pessoalzinho”, insultos vão e vêem.
Por fim a hora de ir embora. Alguém esqueceu a sandália e a areia queima os pés. O baldinho com água para lavar os pés chega quase vazio na calçada. Junto do carro, o flanelinha já desapareceu e um pneu está furado. Palavrões! Troca-se o pneu, entram no carro cuja temperatura interna está em uns 60º C. Nova briga para ver quem vai na janela. O pai histérico porque não lavaram os pés nem colocaram toalhas nos bancos, molhando o estofamento. Como não havia ar-condicionado as janelas são abertas e um bafo quente entra.
Mal saem da praia a esposa começa a reclamar do jeito que o marido olhou a vizinha de barraca, a morena de biquíni mínimo. Começa então a grande discussão do dia, entre marido e mulher. As crianças, no banco de trás, cansadas e irritadas, se estapeiam. Para culminar o rádio transmite a derrota do Flamengo.
Por fim chegam em casa e há um caminhão estacionado na porta da garagem que impede a entrada e nenhuma vaga na rua.
Um domingo perfeito!

sábado, 7 de outubro de 2017

DO FUNDO DO BAÚ: SATURIN E TERESÓPOLIS



Hoje é sábado, dia da série “DO FUNDO DO BAÚ”. E de lá sai esta fotografia de um folheto em que é citada a empresa SATURIN que, por coincidência, apareceu no “post” de ontem.
O folheto, de 1961, das Excursões Saturin, oferece visitas ao Pão de Açúcar, Petrópolis, Rio à noite, Paquetá, Teresópolis, Corcovado, Tijuca, Cabo Frio e Jardins. E, junto, uma propaganda da H. Stern.
O ônibus da SATURIN é da indústria francesa Chausson e a foto do acervo de A. Mattera. Segundo informações a Saturin tinha garagem na Rua Petrocochino, em Vila Isabel.
E, no ônibus da SATURIN, vamos aproveitar o sábado em Teresópolis, que aparece em foto do acervo do Rouen.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

SÃO CONRADO







Hoje, além das fotos do acervo do Correio da Manhã (uma do Bar Bem, colorizada pelo Nickolas), temos um longo texto sobre São Conrado, com a colaboração de muitos comentaristas do “Saudades do Rio”. Desde já peço desculpas por não citar os nomes deles, pois, infelizmente, ao copiar os textos não anotei os nomes dos autores. Os textos são de São Conrado pelos olhos de seus moradores ou visitantes. A meu ver muito interessantes, pois não constam nos livros de história, mas trazem saborosas reminiscências do Rio antigo. Como são lembranças, às vezes não estão corretas. Peço, então, que eventuais correções sejam feitas.
O atual bairro de São Conrado era, até o início do século XX, praticamente deserto. A região era conhecida como "Praia da Gávea", pois o morro, visto do mar pelos colonizadores, parecia uma cesta de mastro. O acesso a esta região, até aquela época, a partir da Zona Sul, era feito pela estrada da Gávea e, a partir de 1916, pela recém-inaugurada Avenida (estrada) Niemeyer.
Na década de 30 o bairro começava a interessar aos investidores. Um exemplo foi a campanha de venda da GAVELANDIA, que dizia: "O sonho que daqui a pouco será concreta realidade. GAVELANDIA, padrão simbólico da energia criadora e dinâmica da Land Investors Trust S/A. A GAVELANDIA que na visão ao alto se localiza sobre a soberba elevação mais próxima da suave orla atlântica surge glamurosamente coberta de construções em sucessivos platôs. A montanha e o mar conjugam seus fatores de beleza e salubridade para realizar o encanto do mais lindo bairro atlântico da formosa capital do Brasil".
Há hoje em dia um condomínio chamado "Jardim Gavelandia", vizinho da Casa de Retiros Anchieta, a famosa Casa dos Padres, em São Conrado, com acesso pela Rua Capuri. Segundo um morador, o vale de São Conrado é uma das regiões mais interessantes do Rio de Janeiro , inclusive superior paisagística e monumentalmente ao conjunto da Urca, e mesmo à área do Corcovado. Ali o conjunto de montanhas criou condições que nunca foram valorizadas nem exploradas do ponto de vista turístico como poderiam ter sido, ou ao menos criado um bairro melhor.
Na década de 1940 foram projetados loteamentos nas encostas próximas à Pedra da Gávea e à Pedra Bonita (chamado Jardim Pedra Bonita) de maneira a criar um bairro organizado, mas o excesso de zelo hipócrita cortou a maioria dos lotes, deixando alguns que hoje formam as ruas Iposeira e Gabriel Garcia Moreno. Impediu-se assim a criação de um bairro jardim mais bem estruturado. Se não me engano o Jardim Gavelândia é o que fica do lado da Rocinha , ruas Capuri , São Leobaldo, Santa Glafira, etc.
O Gávea Golf Club existe graças aos engenheiros ingleses da Light que resolveram criar seu clube ali, desenvolvendo um trecho do bairro civilizadamente. As prefeituras de todas as épocas cercearam as ocupações legais dos terrenos de encosta, o que daria ao menos um ambiente mais civilizado, mas permitiram criminosamente e demagogicamente as ocupações irregulares e desordenadas em vários pontos do bairro. São Conrado acabou sendo um bairro de passagem, com uma praia poluída pelo esgoto da Rocinha e com uma estrada fantasma (Estrada da Canoa), coroada com o esqueleto do fracassado Gávea Tourist Hotel. Cabe ainda mencionar a outra “estrada fantasma “, abandonada, a Estrada do Joá. Espetacular paisagem, também jogada no lixo. Enfim, parece que tudo isto faz parte do estigma misterioso que castiga o Rio de janeiro. Deve ser alguma maldição dos tamoios, os verdadeiros donos destas paragens, massacrados nestas regiões, nos séculos XVI e XVII .
Além das belas fotos da Praia de São Conrado vemos as famosas barraquinhas derrubadas em meados dos anos 60. Eram, segundo alguns, o último limite que as “moças de família” se permitiam ir. Se topassem ultrapassar esta fronteira e ir para a Barra da Tijuca...
“Quando a Prefeitura resolveu remover as barraquinhas, o dono de cada uma ficou com o "direito" de construir um comércio estruturado, em alvenaria, no mesmo lugar. Alguns construíram (inclusive "seu" Nelson, dono do boliche "Pé-de-Vento"), e muitos venderam o "direito".
Alguns que, direta ou indiretamente, compraram estes direitos:
- O Sr. Loyola (pai da Vera Loyola), dono do Bar Bem, ficou com estes terrenos entre o Bar Bem e a Igrejinha e os terrenos entre a Igrejinha e a rua anterior. Nestes terrenos fez uma extensão do Bar Bem, que depois ganhou vida própria (não lembro o nome, mas acho que era algo "dos Pescadores") e o Bola Branca (depois Biruta).
- O Sr. Conrado Niemeyer ficou com o terreno entre a Estrada da Gávea e a R. Engº Álvaro Niemeyer. Alguns anos depois, fez ali o Top (Pot ao contrário), que virou Tochas (ou Tochas, que virou Top?)
- O Sr, Álvaro Niemeyer ficou com o terreno de esquina, logo depois da R. Engº Álvaro Niemeyer, e, logo, construiu o Pot, com um sucesso enorme.
- O Sr. Ricardo Amaral ficou com um dos terrenos pouco depois do Pot, e montou um restaurante focado em automobilismo. Tinha 2 dragsters pendurados nas paredes, e, em cima da lage, montou um cinema drive-in com carros antigos. Pagava-se a entrada e se assistia ao filme de dentro dos carros. Um dos diferenciais era que os garçons e garçonetes eram recrutados entre estudantes de nível superior.
Alguns dos terrenos das barraquinhas foram ocupados, em épocas variadas, por parquinhos de diversão, bastante toscos. O "Meu Boliche", que era o mais frequentado, e que teve a vida mais longa. Na subida da Estrada das Canoas, á direita.
- O "King´s" (do Sr. Loyola), um dos 2 boliches automáticos do Rio. Pouco depois foi fechado e transformado no Motel King's, na época em que o Sr. Loyola construiu o Vips, na Niemeyer, e percebeu que rendia muito mais que um boliche.
- O "Bola Branca", também do Sr. Loyola. Com a redução da procura por boliches, foi transformado em restaurante, com o mesmo nome, mas mantendo 2 pistas do boliche, que eram oferecidas como bônus às mesas cuja conta ultrapassasse um certo valor.
- O ACG - Automóvel Clube da Guanabara construiu um boliche completo, antes da primeira rua de São Conrado (antes do Biruta), mas que, com a falência do ACG, nunca chegou a ser inaugurado.
O "Pé-de-Vento" só veio alguns anos depois. O Sr Nelson vivia jogando no "Meu Boliche", e chegou à conclusão que era melhor transformar seu restaurante em boliche. Fez a reforma, inaugurou o boliche, e morreu de infarto, coitado.
Ricardo Amaral, pouco depois, montou o "Tobogã" e, em volta do tobogã, um parque que chamou de "Diverlândia" (a principal atração eram os karts). Lá se comiam os primeiros crêpes feitos no Rio. O sucesso foi imenso e, durante uns tempos, chegar do Leblon a São Conrado em um sábado ou domingo era coisa que demorava de 45 minutos a 1 hora e meia. Mais outro tanto para voltar.
Nós, que morávamos lá, saíamos pelo Alto da Boa Vista (Gávea Pequena) e Dona Castorina. A primeira "tirolesa" que teve por ali, quase que bem no mesmo lugar que o tobogã, mas bem antes, foi instalada pelo Exército, para treinamento de páraquedistas. Tenho quase certeza que, de vez em quando, eles deixavam os "civis" fazerem o "exercício".
Este pessoal dos Paraquedistas fixou as estacas de uma rede de volei, um pouco afastada do local da "tirolesa". A pedido de um amigo nosso, as estacas foram instaladas em frente à R. Henrique Midosi, perto das cocheiras do Gávea Golf (que não existem mais). Virou a rede de volei da minha "turma" durante muitos anos. Mas houve mesmo uma outra "tirolesa" pela época do tobogã. Tenho a impressão que também teve uma (talvez a mesma) em uma das Feiras da Providência na Lagoa.
A casa onde cresci foi transformada em colégio. Na R. Engº Álvaro Niemeyer, com fundos para a Estrada das Canoas. Quase em frente de onde foi o Pot.
A Escola Mater começou a funcionar em 1967, voltou a ser residência em 75. Em 81, a casa, com o alvará da escola , foi vendida, e voltou a ser colégio.”
Outro comentarista lembra: “Fomos para lá em 1959. Meus pais compraram o terreno em um loteamento e construíram a casa. Já tinham 4 filhos e era uma forma de ter alguma qualidade de moradia por um preço viável. Durante a construção da casa, um lotação descia da Gávea, pela Rocinha, até o Largo da Macumba, no fim da descida da Rocinha. Dali tínhamos que ir a pé até o Largo de São Conrado (uns 2 ou 2,5 km). Quando a casa ficou pronta, já funcionava outra linha de lotação, com ponto final no Largo de São Conrado (São Conrado- Bar 20). Uns meses depois foi substituído por um ônibus circular, o São Conrado-Real Grandeza, que acabou virando Vidigal-Mourisco (521 e 522). Quando esta linha foi "encurtada" até o Vidigal, ficamos só com o Hotel Leblon - Barra da Tijuca (555) que, anos depois, virou Rodrigo Otávio - Barra da Tijuca.
Não fomos completamente pioneiros porque uma primeira leva tinha se instalado em São Conrado nos anos 40. Depois, realmente, as coisas deram uma parada, até a década de 60.
Não havia nenhum comércio, exceto os restaurantes, "barraquinhas", parquinhos e um hotel de alta rotatividade (Hotel Recreio dos Bandeirantes). Em algumas épocas, conseguíamos entrega em casa de pão e leite.
O Rio era dividido em Zona Sul, Zona Norte e Zona Rural. A Zona Rural começava na entrada da Av. Niemeyer.
Quanto ao colégio, era o único particular por lá. Já existia, desde antes da década de 60, a Escola Pública Lúcia Miguel Pereira.
Telefone, era uma dificuldade. A CTB tinha um cabo, instalado na década de 40, mas que, mal foi instalado, já estava "lotado". Sem chance de conseguir um número. Lá em casa, tínhamos que ir até o Hotel Recreio dos Bandeirantes, para pagar um telefonema por lá.
No final dos anos 60, foi criada a CETEL, que instalou, finalmente, novas linhas. Nosso telefone era o 109. Qualquer ligação CTB/CETEL era feita via telefonista, com a devida espera, como qualquer interurbano da época.
Havia um hotel na Estrada da Gávea, à direita de quem volta de São Conrado para a Gávea. Entre a R. Henrique Midosi e o Gávea Golf. Mais ou menos onde hoje fica o último retorno da Lagoa-Barra em São Conrado (indo para a Gávea)”.
Nesta época das fotos, o acesso, a partir da Zona Sul, era feito pela Avenida Niemeyer ou, menos usado, a Estrada da Gávea. Fui várias vezes na Casa de Retiro Anchieta, dos padres jesuítas, para “retiro” dos alunos do Santo Inácio. Era muita mais uma diversão do que um retiro. À noite jogávamos cartas, ouvíamos os páreos do Jockey no rádio de pilha, alguém bancava as apostas, para desespero dos padres. Lembro que após as 22h desligavam a luz, mas continuávamos a jogatina com velas roubadas da capela ou de lanternas levadas nas malas.
Famosa também era a “corrida de submarinos” junto à Praia do Pepino. Pagava-se para entrar num terreno arenoso e tudo era garantido. O risco era atolar o carro na areia.
Quanto ao Gavea Golf & Country Club, é preciso explicar que ele sempre foi cortado ao meio pela Estrada da Gávea, no mesmo trajeto que ela faz hoje - aquela pista pequena, mais baixa que a autoestrada. Dizem que a propriedade sobe morro acima, até o viaduto das Canoas, o que deve ser verdade, porque aquela faixa de mata continua virgem.
Um pouco mais tarde, no início dos anos 70, com a construção do Hotel Nacional (1968-1972) e a abertura da autoestrada Lagoa-Barra, o movimento aumentou muito, com novos empreendimentos comerciais. Por essa época quem não ouviu o "jingle": "É um mal não frequentar o Bem", do programa Ritmos de Boate, do Big Boy, na Rádio Mundial? O Big Boy tinha três programas na Rádio Mundial 860 AM (atual CBN). "Mundial é show musical", todos dias de semana, das 18 às 19 horas; "Ritmos de Boate", todos os dias de semana, das 22 às 23 horas, com patrocínio do Bar Bem e Vip's Motel, e "Cavern Club", aos sábados, de 18 às 19 horas, onde só tocava Beatles. Uma curiosidade sobre o Motel Vip's: o nome foi criado com as letras iniciais dos três filhos do Ignacio de Loyolla. Vera, Ignacio e Pantaleão.
Antes da construção do Hotel Nacional o terreno em frente à praia serviu durante muito tempo de uma espécie de drive-in sem tela de cinema. Havia um precário serviço de bar, mas um eficiente serviço de desatolamento dos automóveis que ali ousavam estacionar.
SATURIN TURISMO: Começou a operar em outubro de 1951, licenciada pelo Departamento de Concessões da Prefeitura do então Distrito Federal, iniciando com uma frota de cinco ônibus de fabricação francesa, do tipo Chausson, com capacidade para 40 passageiros cada um, que seriam fiscalizados pelo Departamento de Turismo e Certames.
Seus passeios inaugurais ocorreram em 20/10/1951, com excursões ao Alto da Boa-Vista-Canoas e o “Rio à Noite”, como podemos ver no anúncio acima.
 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

HOTEL PRAIA LEME

 
Esta foto, do acervo do Correio da Manhã, mostra o Hotel Praia Leme, um prédio de dois andares e 30 apartamentos, na Avenida atlântica nº 866, de propriedade do casal Charlott e Beno Uber. Funcionou desde os anos 40 e recebia principalmente hóspedes alemães. O edifício Elmar dava para a Av. Atlântica e para a Gustavo Sampaio.
Em 1977, seu vizinho no nº 854, o edifício Elmar na direção do Leme, construído em 1941, teve um recalque. Com o abalo os moradores vizinhos foram para a rua, como os do edifício Avahy no nº 840 e também os do edifício Sayonara, bem como os hóspedes do Hotel Praia Leme.
 Segundo o gerente do hotel todos os hóspedes foram evacuados e alojados em outra propriedade da mesma cadeia, na Av. Princesa Isabel nº 7, "exceto uns argentinos que foram embora sem pagar a conta".
Foi feito um escoramento de emergência com perfis metálicos no edifício Elmar, mas face à gravidade da situação reuniram-se o Secretário Municipal de Obras, Orlando Feliciano Leão, os responsáveis pelo Departamento Geral de Edificações (DGED), os representantes do Hotel Praia Leme, os síndicos dos edifícios vizinhos (Sayonara e Avahy), técnicos da Tecnosolo, o Major Roberto Falcão, do Corpo de Bombeiros, e o engenheiro estruturalista João Alves de Moraes, também diretor de Engenharia Urbanística da SMO.
Depois de muitas idas e vindas, conforme noticiado pelo JB de 23/8/79, optou-se pela demolição dos 12 andares do Edifício Elmar. O construtor Alain Marot explicou a forma da demolição, com todos os cuidados. A previsão era de um prazo de 90 dias a um custo de Cr$ 1 milhão 800 mil.
Notas:
1)      Giersch Patrick, hóspede alemão, 20 anos, com um cúmplice brasileiro, segundo o JB de 09/01/1984, assaltou o cofre do hotel em que estava hospedado, o Praia Leme.
2)      Em 1988 6 homens saquearam o hotel.
3)      O prédio da Construtora Marot-Soares, após a demolição, ficou abandonado por 7 anos.
4)      Atualmente, no local onde funcionou o Hotel Praia Leme há uma filial do Supermercado Zona Sul
5)      Alain Marot foi meu colega de turma no Colégio Santo Inácio. Grande figura, do bem, querido por todos. Destacava-se também como goleiro do time de nossa turma. Faleceu há 5 anos.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

PÃO DE AÇÚCAR





 
Nas  fotos de hoje vemos,  no início da década de 70, a modernização do bondinho do Pão de Açúcar.
Nas fotos 1 e 2 temos as maquetes das novas estações do bondinho do Pão de Açúcar, apelidadas de “Pato Donald”.
Nas fotos 3 e 4 vemos a coexistência dos dois bondinhos, durante um certo tempo.
Na foto 5 vemos o bondinho fazendo 60 anos, em 1972.
Consta que a primeira escalada do Pão de Açúcar foi realizada em 1817, por uma inglesa que, vencendo todas as dificuldades, chegou ao cume onde colocou uma bandeira de seu país. Um soldado português considerou o fato uma ofensa e escalou o penhasco, arrancou a bandeira inglesa e a substituiu pelo pavilhão real português.
Segundo Doyle, houve outras escaladas, uma delas em 1851, quando uma caravana de 10 pessoas, organizada pela dentista Burell, entre as quais duas senhoras e um menino de 10 anos de idade. Passaram a noite no cume, soltaram foguetes e à noite acenderam uma fogueira visível em quase toda cidade. Ao alvorecer hastearam bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e da Inglaterra e desceram sem qualquer incidente. Depois as escaladas tornaram-se frequentes.
A concessão para construir e explorar o Caminho Aéreo do Pão de Açúcar, na Praia Vermelha, foi outorgado pelo Dec. Mun. nº 1260, de 29/05/1909, ao engenheiro Augusto Ferreira Ramos e outros. As obras tiveram início no final de 1909 com guindastes gigantescos montados na base do morro enquanto centenas de operários, realizando perigosas escaladas, se incumbiam de transportar o material. Escaladores levaram uma corda que foi lançada de lá de cima e amarrada a um cabo-piloto, que serviu de guia para a extensão do cabo de aço que sustentaria o bondinho. Com os recursos daquela época foi uma façanha.